Omissão de dissecção axilar após tratamento sistêmico neoadjuvante em pacientes com câncer de mama triplo-negativo e HER2 superexpresso com linfonodos axilares positivos iniciais: estudo SENATURK OTHER-NAC

Omissão de dissecção axilar após tratamento sistêmico neoadjuvante em pacientes com câncer de mama triplo-negativo e HER2 superexpresso com linfonodos axilares positivos iniciais: estudo SENATURK OTHER-NAC

Omissão de dissecção axilar após tratamento sistêmico neoadjuvante em pacientes com câncer de mama triplo-negativo e HER2 superexpresso com linfonodos axilares positivos iniciais: estudo SENATURK OTHER-NAC

Evidências emergentes indicam que, para certas pacientes com câncer de mama cN+, omitir a dissecção axilar após biópsia do linfonodo sentinela pode ser uma abordagem segura, especialmente para aquelas que respondem favoravelmente a quimioterapia neoadjuvante. Em relação aos tumores mais agressivos, HER2+ e Triplo Negativo, pode haver um receio do cirurgião quanto a essa conduta. Neste estudo, foram avaliados os resultados clínicos de pacientes com carcinoma HER2+ e TN cN+ que responderam clinicamente após quimioterapia neoadjuvante(cN0) e foram submetidas a biopsia de linfonodo sentinela como único procedimento cirúrgico axilar, independentemente do envolvimento do linfonodo sentinela. Os desfechos primários foram taxa de recorrência axilar, locorregional e a distância.

Foram incluídas 259 pacientes, com idade média de 46 anos, entre 2010 e 2021 de diversos centros da Turquia, com tumores iniciais cT1-4N1-3M0 (76% cT1-2 e 81,5% cN1), HER2+ (66%) ou TN (34%), que receberam quimioterapia neoadjuvante. Seguimento médio de 46 meses.

O número médio de LS foi de 4 e 78,4% estavam livres de comprometimento tumoral.
Em pacientes ypN+, 42,9% eram macrometástases, 37,5% micrometástases e 19,6% células tumorais isoladas.

Recorrência axilar: 0,8% (em pacientes TN. Não houve em HER2+). Locorregional: 2,7%.

Recorrência a distância: 7,7%.

As taxas foram semelhantes entre os grupos ypN0 e ypN+.

As curvas de sobrevida livre de doença e a distância foram semelhantes de acordo com os subtipos de tumor e estágios T iniciais.

Apesar do prognóstico mais desfavorável dos tumores HER2+ e TN, esse estudo demonstrou que, após quimioterapia neoadjuvante, uma abordagem cirúrgica menos agressiva da axila resulta em uma recorrência axilar muito baixa (<1%) e também locorregional (<3%), em um acompanhamento médio de 3,8 anos. Pacientes com axila ypN+ (21,6% da amostra) e que não receberam dissecção axilar tiveram resultados de recorrência semelhantes quando comparados àquelas com resposta patológica completa na axila.

Apesar de ser um estudo retrospectivo com relativo número de pacientes ypN+, o fato de se abordar tumores HER2+ e TN tornam os dados importantes devido a representação menor desses subgrupos tumorais nos grandes ensaios clínicos de abordagem axilar pós quimioterapia.

Aguardamos os dados dos ensaios prospectivos em andamento, em especial o Alliance A011202 e TAXIS, que poderão elucidar com maior propriedade a abordagem cirúrgica axilar ideal em ypN+.

Autor(a)

Paulo Tenório

Médico Mastologista pela FMUSP/SP

Mastologista do Programa Cuidar do Hospital Israelita Albert Einstein; Mastologista da Clínica Femi em Alphaville/SP; Membro da Comissão de Educação Continuada da Sociedade Brasileira de Mastologia-SP